sexta-feira, 20 de março de 2009

Relacionamentos

Todos nós somos desafiados no nosso quotidiano nos relacionamentos mais próximos.
De formas simples ou mais ousadas, todos temos obstáculos pessoais a ultrapassar e melhoramentos a fazer.
A verdade é que esses melhoramentos são apenas uma forma de dissolução do nosso ego.
Lá no fundo, nós já não precisamos de alterar nada, apenas vivemos nessa ilusão.
Temos um mecanismo de defesa inconsciente que se comporta como se estivesse a ser atacado por simples palavras ditas por outra pessoa. E quando essa pessoa nos é muito próxima, a reacção multiplica-se exponencialmente.
Há quem fale em relacionamento cármicos ou mal resolvidos no passado.
Hoje em dia não acredito nessas coisas. Sinto apenas que existem memórias emocionais, por determinadas situações que vivemos, que são despertadas e alimentadas nos relacionamentos.
O nosso estado de apego a determinadas memórias e rotinas mentais leva-nos a viver e reviver as mesmas situações, vezes sem conta.
Achamos que somos aquilo que vivemos e achamos que não temos volta a dar à situação. Acho que isso é mentira.
Um estado de presença e a observação consciente podem ajudar na dissolução da identificação com o ego, assim como a identificação com a razão que nos leva a achar os relacionamentos mais ou menos complicados.
Desde menina que sonho com relacionamentos perfeitos e toda a minha vida vivi a acreditar que isso era possível. Acabava por me desiludir pois as pessoas não chegavam aos padrões que eu construía para elas.
Pior, ficava imensamente chateada comigo porque eu mesma não atingia os meus objectivos perfeitos.
A questão que me resolvi colocar foi: quem me disse que a perfeição era desta ou daquela maneira?
O meu ego.
E pronto... a partir daqui pude começar a construir novos valores e novos paradigmas para os relacionamentos.
E aqui se encontra o processo de dissolução do ego: aceitação.
Começo por me aceitar como eu sou.
Aceitar as minhas reacções, que vão sendo observadas e começam a dissolver-se na luz da consciência.
Aceito o que sinto e abro os meus horizontes, libertando o meu peito da culpa, do ressentimento, da raiva... abro espaço para a aceitação, o amor e a alegria.
Quando me aceito, descubro que o outro é igual a mim.
Quando reajo ele também reage. A inconsciência toma conta dos dois.
Quando aceito, o ego dele não resiste à consciência e dissolve-se.
Nós somos apenas UM, na sua magnificência e poder. Podemos tudo o que sonhamos, por isso, aceitar quem somos e todos os que nos rodeiam, é aceitar a Unidade e o Deus em todos nós.
Sim... porque se Deus faz parte de mim, também deve fazer parte de todos os outros seres humanos.
Como pode Deus atacar Deus? Como pode Deus defender-se de Deus?
Deus aceita, perdoa e ama.

1 comentário:

Patricia disse...

Obrigada por isso,a cada semana vc posta um texto que diz exatamente o que eu preciso, me dá um enorme apoio! Beijinhos, minha linda!